Quantas pessoas já espiaram

sábado, 10 de março de 2012

VIAGEM AO PAJEU PERNAMBUCANO, TUPARETAMA!!!!!

         
           Hoje eu queria falar de algo que me deixou muito impressionado e ao mesmo tempo muito feliz, e olha que não sou de ficar impressionado por qualquer coisa, principalmente em se falando de algo no mundo da cultura artística.
          O Gente Boa foi convidado para participar de um evento intitulado “Balaio Cultural”, evento este que ocorre uma vez por mês na cidade de Tuparetama-PE., o evento é realizado por pessoas com um amor incondicional para com a cultura popular regional nordestina, e pasmem!, o evento não possui fins lucrativos, é amor mesmo. Só por este fato já valeu a pena ter ido participar deste evento.
          Chegamos na cidade mágica de Tuparetama às 21H, e fomos recepcionados, e diga-se de passagem, muito bem recepcionados, por um dos organizadores e também artista, Fernando, que canta na banda “Vozes do Campo”. Encontramos naquele ambiente mágico os amigos Bira Marcolino filho do saudoso Zé Marcolino, Zé de Cazuza “o homem gravador”, um dos grandes poetas de nosso tempo. Estava lá também Antenor Cazuza, que é filho de Zé e irmão de Miguel Marcondes e Luiz Homero, além de ser um grande poeta e intérprete da música regional nordestina. Encontramos também o grande acordeonista Luisinho que atualmente toca com Irah Caldeira, e o grande intérprete Churrasco, além disso, tinha "uma penca" de poetas repentistas, declamadores, grupos de dança, enfim, uma “ruma” de artistas, e na minha crítica opinião, Artistas com “A” maiúsculo. Até aí tudo bem, aquela região é o maior celeiro de poetas do mundo, e não é exagero, é fato comprovado.
          Mas até agora você leitor pode estar se perguntando: "e o que há de impressionante nisto?" É verdade, talvez tudo isto que eu falei você já tenha ouvido ou lido em algum jornal na parte que fala de cultura nordestina.
          Vivemos num mundo cada vez mais massificado, de pessoas que não tem opinião e nem gosto próprio, perderam, ou nunca tiveram, isto ocorre por vários motivos, que não vou discorrer sobre eles neste post, mas o fato é que a maioria das pessoas ouve e curte aquilo que lhes é imposto, e sem quase nenhuma resistência se deixam dominar. Pois bem, quando chegamos a Tuparetama, fomos informados que haveria antes de nós apresentações de poetas repentistas, declamadores e de um grupo de danças, até aí tudo normal. Mas quando me dei conta da programação, comecei a estranhar o público, que era formado em sua esmagadora maioria por jovens e sem ser pejorativo eram “boyzinhos e boyzinhas”, não era o público que eu imaginava para aquele tipo de evento, mas pensei: “acho que eles estão aqui porque não há nada ocorrendo na cidade”, engano total, recheado de certa dose de preconceito da minha parte. A rapaziada estava ali para ouvir poemas declamados, cantadores de repente, ver grupos de danças, e dançar ao som do forró de raiz, e é forró de raiz mesmo, pois lá não se usa bateria e nem guitarra, só zabumba, triangulo, sanfona e no máximo um contra baixo, e olha que tudo isto que mencionei é algo comum naquelas terras do Pajeú Pernambucano, alimentando ainda mais a minha crença, de eles valorizam e gostam sem fazer força da cultura nordestina de raiz.
          E foi anunciado por Fernando: “Vamos dar início ao 14º. Balaio Cultural da cidade de Tuparetama, com a apresentação de repentistas”. Os repentistas que se apresentaram eram muito bons, um era um senhor de idade, o outro um jovem, fato não tão incomum assim, o que foi incomum pelo menos para mim, foi à apresentação dos declamadores, além de ver a satisfação do povo em ouvir aquela nobre arte, vi declamadores jovens, e vi também uma declamadora, se é raro uma declamadora, mas raro ainda é uma declamadora jovem, e que por sinal era muito bonita. Mais uma vez agi com certo preconceito, quando Fernando anunciou o Grupo de Danças da cidade Iguarassi, pensei: “mais um grupo de danças folclóricas, com aquelas danças bonitas, mas repetidas”, “quebrei a cara” mais uma vez, o grupo ao mesmo tempo em que era tradicional era inovador, sobre este grupo falarei mais no post posterior.
          Enfim, fui a um lugar mágico, onde jovens assistem a espetáculos ARTÍSTICOS, onde jovens fazem espetáculos ARTISTICOS. Muito obrigado a rapaziada do Balaio Cultural por deixar nós do Gente Boa também participar desta mágica, muito obrigado Tuparetama por existir, aquela noite foi um bálsamo para a minha alma de artista.
          Segue algumas imagens do Balaio Cultural: